Sabedor

Eu sei o quanto tempo não pego na palavra,
quanto tempo eu não vou para um telhado.
Bem sei o quanto tempo não olho com olhares de pintor.
Eu sei o quanto tempo, de forma literal,
não planto uma semente, não pingo o meu suor na terra
e saio com as minhas mãos e roupa sujas desse ato.

Ah! Esse saber das coias que ando não fazendo.

Eu sei quanto tempo, não converso com um cavalo
em uma estrada de terra batida, com mato pra todos os lados.

Eu sei o quanto tempo esse tempo não tenho
Os pés para o riacho molhar

Eu sei o quanto tempo não uso caderno
e sem paciência não guardo rascunhos.

Isso tudo parece dizer que não estou no jogo que é ao vivo.
E se eu não bater o lateral o verso não sai, poesia não vai
E sabe se lá a paciência que o Juiz tem de mim.

Sabedor, sei da dor. Sabe amor?

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